Opções para produção de slides

Este post foi atualizado em 7 de março de 2017.

Apresentar trabalhos é comunicar ideias. As pessoas costumam subestimar a importância do aspecto comunicativo, mas o fato é que boas ideias não chegam a lugar algum se não forem comunicadas apropriadamente. No mundo acadêmico, em particular, há a tendência de achar que a forma não importa, já que o conteúdo é o principal. Isso é um erro: o seu conteúdo só será entregue se a sua forma for eficiente. “Forma”, aqui, pode ser um artigo publicado, um pôster apresentado ou uma comunicação oral (talk) em um congresso. Neste post, falarei de slides.

Uma das principais dúvidas que eu tinha quando comecei a usar LaTeX era se todo o esforço valia a pena de fato. Com o tempo, percebi que obviamente a resposta é “sim” para artigos e pôsteres, mas demorei mais tempo para me convencer de que o LaTeX era a melhor opção para apresentar slides. Obviamente, boa parte dessa classificação é subjetiva. No que segue, vou tentar explicar por que LaTeX talvez seja uma boa opção para você também.

Se você vai apresentar um trabalho em um congresso e prefere utilizar slides a handouts, penso que haja quatro tipos de opções:

  • Grupo 1: PowerPoint, Keynote etc.
  • Grupo 2: Prezi etc.
  • Grupo 3: HTML/Javascript
  • Grupo 4: LaTeX
  • Grupo 5: Markdown

O grupo apropriado depende de diversos fatores: o que você faz, o tipo de design que você mais gosta, suas prioridades, seu tempo, sua vontade de aprender coisas novas etc. Vou dar minha opinião abaixo sobre as vantagens e desvantagens de cada grupo.

Grupo 1: PowerPoint, Keynote etc.

Bom: A principal vantagem de programas como PowerPoint é a facilidade de uso, principalmente no quesito mídia. Se você precisa adicionar vídeo ou áudio aos seus slides, não é necessário fazer uma pesquisa em fóruns antes (como no caso do LaTeX; ver abaixo). O design oferecido por este grupo é bastante flexível, e você consegue facilmente criar seu próprio template, desenhar formas geométricas etc. Esse é o primeiro grupo da lista justamente porque ele é provavelmente a primeira opção com que você teve contato.

Ruim: O formato próprio (.ppt, por exemplo) torna esse tipo de apresentação menos “universal”, e você provavelmente irá querer usar o próprio laptop, já que diferentes versões do aplicativo poderão modificar a formatação de seus slides. Além disso, se você utiliza uma fonte especial que não está instalada em outro computador, ela será substituída—mais uma razão para querer usar o seu próprio computador. Tudo isso resulta de um formato de arquivo que não é estático. Se você exportar seu ppt como pdf, isso se resolve, mas obviamente você perde animações, áudio e vídeo.

Grupo 2: Prezi etc.

Pessoalmente, eu não usaria Prezi, mas reconheço que em algumas áreas ele pode ser desejável. Se você quer algo extremamente dinâmico (até demais, talvez) e que desvie de slides típicos, considere o Prezi (experimente e veja o que acha). Diferentemente do grupo 1, o Prezi foi desenhado para ser uma plataforma online (assim como SlideShare etc.). Isso pode ser vantajoso, já que compartilhar suas apresentações é algo mais natural neste tipo de plataforma.

Bom: Compartilhamento de slides, dinamismo/animações, estilo diferente/original.

Ruim: Nem tudo que é diferente e original é bom. Embora Prezi possa ser uma boa ideia em contextos mais descontraídos, áreas mais formais provavelmente evitarão esse tipo super dinâmico de slides.

Grupo 3: HTML/Javascript

Os grupos 3 e 4 são mais técnicos e exigem um aprendizado bastante diferente dos grupos 1 e 2. Slides deste grupo permitem interatividade, o que pode ser uma excelente ideia para aulas e workshops, por exemplo. Você pode adicionar um quiz que corrige respostas dadas por alunos; pode adicionar gráficos interativos produzidos em outras plataformas (como Plot.ly ou Shiny em RStudio). Isso tudo pode ser usado de forma prática, e sua apresentação pode ser diferente das demais. Esse tipo de diferencial, contudo, serve um propósito óbvio, diferentemente do dinamismo exacerbado do grupo 2 acima. Sites como slides.com oferecem uma plataforma mais amigável.

Bom: Além da estética, compartilhamento facilitado, já que a plataforma, por definição, é feita para estar online. Além disso, seus slides são mais fluidos e dinâmicos, e permitem iframes, que por sua vez fazem com que gráficos interativos sejam inseridos nos slides. Áudio e vídeo também podem ser facilmente adicionados. Por fim, embora seja feita em HTML, você pode exportar sua apresentação em formato pdf em sites como slides.com.

Ruim: Você precisa saber ao menos um pouco de HTML e Javascript. Mesmo em plataformas mais amigáveis, nem todo recurso estará disponível, e será preciso adicioná-lo manualmente (via HTML, muitas vezes). Além disso, normalmente você precisará baixar sua própria apresentação caso queira tê-la offline (dependendo do tipo de serviço que você usa, já que talvez você não queira fazer seus slides do zero). Isso ocorre porque plataformas como slides.com são feitas para a web. Por fim, nem todo tipo de recurso é facilmente adaptado para o mundo HTML—a menos que você seja um expert. Neste caso, alguns recursos do grupo 4 talvez façam falta, dependendo das suas necessidades e do seu gosto.

Grupo 4: LaTeX

O LaTeX tem diferentes classes para slides. A mais utilizada se chama beamer. Em LaTeX, sua apresentação será um arquivo de texto que será compilado e gerará um output em pdf, que será a sua apresentação. Se você é perfeccionista, gostará desta plataforma. Uma das principais vantagens em usar LaTeX é a consistência do que é gerado: você não precisa se preocupar com margens, cor de bullet points ou coisas do tipo. Tudo será consistente e exato. Por outro lado, caso você queira ajustar manualmente alguma coisa, você tem total controle sobre todos os aspectos da apresentação.

Se você lida com estruturas não lineares, fórmulas matemáticas, diagramas etc., esta é sem dúvida a melhor opção.

Bom: Automatização, precisão, estética, organização e, por fim, compatibilidade universal, já que o output é em formato pdf. Apesar disso, você consegue adicionar áudio e vídeo (sim, ao pdf).

Ruim: Complexidade e falta de dinamismo (gráficos interativos são, por definição, impossíveis até o momento). LaTeX pode ser extremamente complicado às vezes, o que significa que você precisará de muitas horas antes de conseguir fazer sua primeira apresentação com naturalidade. Aprender a usar LaTeX de um modo geral requer tempo e paciência. O resultado vale a pena, mas isso, admito, pode depender do que você procura e do quão disposto você está.

Grupo 5: Markdown

Markdown é uma linguagem muito mais simples do que HTML, Javascript ou LaTeX. Contudo, você consegue compilar seus documentos em formatos pdf e HTML. No caso de documentos em pdf, o output é compilado via LaTeX, o que significa que você terá um resultado excelente. Uma opção é utilizar RMarkdownem IDEs como RStudio, por exemplo. Isso permite que você crie slides em HTML utilizando apenas markdown. A parte interessante é que você pode também utilizar HTML ao longo do seu texto se quiser, o que abre um leque de possibilidades se você está familiarizado com CSS, HTML5 etc.

Bom: Fácil, eficaz, versátil e profissional. Sem dúvida uma das melhores opções, principalmente considerando que slides mais dinâmicos têm um grande apelo atualmente. Por exemplo, você consegue adicionar gráficos interativos (algo naturalmente impossível em LaTex). Você pode inclusive escrever artigos e documentos complexos utilizando Markdown (dê uma olhada no Madoko, por exemplo).

Ruim: Por ser simples, usar Markdown pode ser restritivo demais. Por isso, você provavelmente precisará aprender ao menos o básico de html e CSS.

Minha opinião

Se você é perfeccionista, use LaTeX ou Markdown. Se utiliza muita mídia e faz questão de inserir vídeo/áudio no próprio slide, PowerPoint (ou variantes) será mais prático. Se você quer algo mais dinâmico, use HTML ou Markdown.

Pessoalmente, uso LaTeX para documentos complexos e slides para congressos; Markdown para elaborar meu website (complementado com HTML e CSS). Também uso Markdown  (RMarkdown) para gerar slides em HTML para cursos sobre análise de dados e estatística.

Se você tem tempo e pretende seguir carreira acadêmica, meu conselho seria: tente aprender LaTeX, Markdown, e um pouco de  HTML e veja o que você acha. A learning curve é grande, mas tudo isso facilitará muito o seu trabalho no futuro: desde handouts até slides para aulas, posters para congressos, CVs, artigos… todos os documentos que você precisa produzir ficarão melhores, mais automatizados, e mais profissionais.

Conclusão

O tipo de slide que você fará dependerá dos “costumes” da sua área, do seu próprio gosto e do seu tempo. Eu diria que o grupo 1 serve o público geral, já que qualquer área é compatível com o estilo PowerPoint de ser. O Prezi, por outro lado, apresenta um estilo bastante dinâmico que talvez seja mais apropriado para algumas áreas específicas (vendas, marketing etc.). HTML e LaTeX oferecem ferramentas avançadas, mas requerem mais dedicação por parte do usuário. No mundo acadêmico/científico, LaTeX tem um papel fundamental, não apenas por ele fornecer as ferramentas necessárias, mas também por proporcionar um design sóbrio, profissional e exato. Por fim, Markdown oferece um meio termo interessante: praticidade com um resultado profissional. Como disse aqui em cima, você aliar Markdown a HTML, consegue fazer virtualmente tudo que precisa em seus slides. Particularmente, gosto bastante do visual discreto mas dinâmico de slides em HTML/Markdown.

Grupos 1-2 e Grupos 3-5 são universos bastante diferentes. O primeiro oferece uma plataforma amigável para qualquer contexto. O segundo oferece um linguagem de programação para compilar documentos.

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