Organizando sua tese em LaTeX

Trabalhar com LaTeX quase significa trabalhar com múltiplas pastas. Isso pode parecer ruim para quem vem do MS Word, mas é bem provável que você já esteja lidando com diversos arquivos ao mesmo tempo. Afinal, mesmo em documentos curtos como artigos, você normalmente terá figuras, por exemplo. O ponto é: saber organizar os seus arquivos certamente facilita a sua vida na hora de escrever o seu documento. Em LaTeX, essa organização se torna ainda mais essencial, dada a interface do sistema.

Neste post, vou discutir a organização de uma tese. Ou seja, vou falar do aspecto conceitual do documento. Parto do princípio de que você já usa/usou LaTeX para documentos mais simples, como artigos etc.

Exemplo: tese

Imagine uma tese de doutorado. (OK, se você já passou da metade de seu doutorado e ainda não usa LaTeX, talvez não tenha tempo para aprender a usar o sistema e, ao mesmo tempo, fazer sua pesquisa; neste caso, talvez continuar no Word faça mais sentido). Provavelmente esse será o tipo de documento mais complexo que você vai escrever, o que significa que haverá diversos arquivos envolvidos. Você provavelmente terá os seguintes componentes:

  1. Um arquivo tex principal—sua tese em si
  2. Um arquivo tex para cada capítulo
  3. Uma pasta para figuras (jpeg, pdf, png…)
  4. Um arquivo com suas referências

Abaixo, descrevo brevemente cada um dos itens acima.

O esqueleto de uma tese

Seu arquivo principal será a sua tese. Vou chamá-lo de principal.tex. Esse arquivo terá todos os pacotes a serem carregados, e você provavelmente utilizará a classe report, mais recomendada para documentos dessa complexidade. Aqui vai um exemplo bem simples com alguns comentários.

%% Este é o arquivo principal.tex

\documentclass[11pt]{report} % Fonte tamanho 11
\usepackage[letterpaper]{geometry}
\usepackage[portuguese]{babel} % Se sua tese é em português
% Outros pacotes, comandos, e configurações pessoais ***

\begin{document}

\input{capa} % Sua capa: um arquivo chamado capa.tex
\input{resumo} % idem

\tableofcontents % Isto criará o seu índice
\listoffigures   % Sua lista de figuras
\listoftables    % Sua lista de tabelas

\chapter{Introdução}
\input{intro.tex}

\chapter{Meu primeiro capítulo}
\input{chapter1.tex}

% Outros capítulos


\bibliographystyle{apa}
\bibliography{ref.bib} % seu arquivo de referências
\end{document}

Cada vez que você usa \input{x}, você está chamando um arquivo .tex que está no mesmo diretório que principal.tex. Ou seja, estou partindo do princípio de que você tenha uma pasta com todos os arquivos da sua tese. Você pode dar o path completo caso o arquivo não esteja na mesma pasta—isso será útil para figuras, já que elas estarão em uma pasta própria, geralmente.

Em suma: dentro da pasta “tese”, há os seguintes arquivos:

  • principal.tex
  • capa.tex
  • resumo.tex
  • intro.tex
  • chapter1.tex
  • ref.bib
  • Pasta com figuras, chamada figuras

Como você chamará todos os arquivos a partir do arquivo principal, você só precisa de um preâmbulo em principal.tex. Quando você utilizar figuras, chamará cada uma delas levando em conta a pasta onde estão: \includegraphics[width=...]{figuras/minhaFigura.pdf}. Ao compilar seu arquivo principal, sua tese estará pronta em formato pdf.

Esse tipo de organização é bastante típica para documentos feitos em LaTeX. Embora menos complexos, artigos normalmente também exigirão um tipo parecido de estrutura, já que você normalmente terá figuras e sempre terá referências. Você poderia, inclusive, utilizar \input{} para seções em seu artigo, embora isso seja um exagero. No caso da tese, isso pode ser útil para que você compartimentalize seu trabalho, ou seja, “cada capítulo tem o seu próprio arquivo”.

Extras

Você provavelmente gosta de usar LaTeX justamente pelo poder e controle que ele dá ao usuário. Você pode ajustar todo e qualquer detalhe de sua tese e automatizá-lo da forma que achar melhor. Por exemplo, cabeçalhos que mostrem título da tese, título do capítulo, seu nome, data etc. Você talvez queira definir fontes específicas (caso não goste da CMU Serif), cores personalizadas, novos ambientes, … a lista é imensa. Tudo isso ficará no preâmbulo do seu arquivo principal (*** no exemplo acima).

Se você é fonólogo e utiliza OT, por exemplo, irá querer criar um ambiente para tableaux (mostro como fazer isso em outro post). Tudo isso será centralizado em um único arquivo, o que significa que seus arquivos dependentes não poderão ser compilados em isolado. Ou seja, o arquivo chapter1.tex não será compilado, pois sequer terá comandos como \documentclass{} ou \begin{document}, que já estão em principal.tex e são, portanto, “herdados”.

Se você domina inglês

Não deixe de assistir à série sobre teses do ShareLaTeX, que certamente é o seu melhor ponto de partida para escrever sua tese em LaTeX.

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